Estudo da USP/FAPESP aponta caminhos para o H2V. E onde entram as Algas Marinhas do AgroSea?
- Wilson Nigri
- há 5 dias
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A busca pelas melhores rotas para a descarbonização industrial ganhou um novo e robusto capítulo acadêmico. Um estudo recente publicado no International Journal of Hydrogen Energy, conduzido pelos pesquisadores Celso da Silveira Cachola e Drielli Peyerl em colaboração com a Universidade de Amsterdã, mapeou os municípios brasileiros com maior potencial para a produção e uso de hidrogênio verde.
A pesquisa foi desenvolvida em um dos Centros de Pesquisa Aplicada (CPAs) da FAPESP na USP, em parceria com a Shell Brasil e com apoio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O grande objetivo era direto: identificar onde estão os polos que unem alta disponibilidade de recursos renováveis e forte demanda industrial. O "Easy-to-Abate": Descarbonização local e descentralizada
Embora o hidrogênio verde seja amplamente defendido como a salvação para os setores "hard-to-abate" (aqueles de difícil redução de emissões), o AgroSea propõe um olhar atento para o que está bem diante de nós: o "easy-to-abate".
Antes de focar em complexas infraestruturas de transmissão e altíssimos custos de armazenamento para alimentar grandes indústrias, a ciência já domina uma solução imediata e muito competitiva: a eletrólise a partir do etanol fazendo uso de células de combustível. Essa tecnologia madura permite descarbonizar regionalmente as áreas que estão no próprio entorno da vasta produção de cana-de-açúcar e de milho no Brasil.
Imagine abastecer motores estacionários e frotas de transporte coletivo em pequenos municípios, além de garantir energia limpa e ininterrupta para hospitais e universidades. É uma destinação nobre que diversifica o uso do etanol "de todas as gerações".
Onde o AgroSea e as Algas Marinhas entram nessa conta?
A resposta para essa integração está diretamente ligada ao aumento de eficiência da cadeia de valor da biomassa, sem que seja necessário expandir a área plantada:
Explosão de Produtividade: O uso de soluções baseadas em algas marinhas na estruturação dos canaviais busca assegurar um ciclo de produção média acima de 120 toneladas por hectare/ano por um período mínimo de 5 anos — tendo como teto a busca pelo potencial biológico de até 300 toneladas/ano. Mais cana por hectare significa mais etanol disponível para a rota do hidrogênio.
Economia Circular e Enriquecimento da Vinhaça: Um trabalho técnico que contratei junto a ESALQ — analisando efluentes de 10 grandes usinas — comprovou a viabilidade do enriquecimento da vinhaça com o Potássio e o Magnésio extraídos das algas marinhas. Devolver esse efluente tratado e altamente nutritivo para a própria cultura da cana (sempre respeitando as rigorosas regras da CETESB) fecha o ciclo de carbono com perfeição biológica.
Olhar para toda a cadeia de valor significa entender que a transição energética global começa no solo e no manejo inteligente dos recursos que o Brasil já domina. Eletrólise por Célula de Combustível
Aplicação | Benefício Direto | Impacto Estratégico |
Público & Saúde | Abastecer hospitais, universidades e pequenos municípios. | Garante autonomia energética e segurança em serviços essenciais. |
Mobilidade | Alimentar frotas de transporte coletivo. | Reduz imediatamente a emissão de poluentes em centros urbanos. |
Geração Local | Uso de motores estacionários. | Diversifica o uso do etanol "de todas as gerações" sem gargalos de rede. |
Sem prejuízo ao desenvolvimento e produção de energias limpas e renováveis, há que se olhar para toda a cadeia de valor. Ribeirão Preto, por exemplo — município com cerca de 750 mil habitantes, universidades e hospitais de excelência e um SUS estruturado —, merece ser estudado no âmbito de políticas públicas voltadas à urbanização. O Elo entre o AgroSea e o Hidrogênio Verde
Iniciativa AgroSea | Mecanismo de Ação | Resultado sem Área Adicional |
Estruturação de Canaviais | Uso de algas marinhas para otimização biológica e radicular do solo. | Produção média acima de 120 ton/ha/ano por no mínimo 5 anos (com potencial de 300 ton/ano). |
Enriquecimento da Vinhaça | Adição de Potássio e Magnésio contidos nas algas marinhas ao efluente de usinas. | Devolução controlada do fertilizante à cultura da cana respeitando as regras da CETESB. |


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